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PORCIÚNCULA DE MORAES

biografia

Nascido em 06 de maio de 1899, na Vila de São Bento, no Maranhão, Raymundo Porciúncula de Moraes foi o 12° dos 17 filhos (13 homens e 4 mulheres) de José Alípio de Moraes – magistrado, músico, compositor e regente – e de Teresa dos Anjos Porciúncula de Moraes, professora (cantora e musicista amadora).

Aos 10 anos, morando na vila de Cururupu e com a vocação para a pintura já manifestada em desenhos nos cadernos e nas paredes e muros da casa, recebeu do irmão e padrinho Celino o que considera o seu primeiro grande incentivo: uma caixa de lápis com doze cores. As flores e frutas, temas preferidos do talento precoce, sempre muito coloridas, passaram a figurar com mais frequência no material escolar e a ser requisitadas por amigos e admiradores.

Com 15 anos, outra habilidade de Dico, como era conhecido em família, também chamava a atenção: a de calígrafo. Por desenhar bem todos os tipos de letra, era procurado por comerciantes para fazer cartazes e outros trabalhos de propaganda. Ao candidatar-se a uma vaga de desenhista na editora “A Revista do Norte”, surpreendeu pela pouca idade. Para testá-lo, o proprietário lhe pediu que reproduzisse um quadro “de uns dos bons mestres de Paris”. No dia combinado, o jovem Porciúncula entregou a sua versão como sendo a original e disse não ter conseguido cumprir a tarefa. À reação compreensiva do homem, mostrou o verdadeiro original, cuja cópia que fizera era idêntica. Foi contratado na hora.

O encontro com aquele que define como seu “primeiro mestre”, o espanhol Antonio Rabasa, recém-chegado em São Luís, deu-se após Porciúncula ver paisagens do artista ornamentando a decoração de um novo bar da cidade. Não hesitou em pedir umas aulas a Rabasa, que o acolheu e foi um grande incentivador da sua ida para o Rio de Janeiro, cuja efervescência cultural e a possibilidade de convívio com grandes artistas reputava como fundamentais para o seu aprendizado. Entre 1916 e 1917, antes de conhecer a então capital federal, Porciúncula passou cerca de um ano e meio em Belém, onde encontrou “um ambiente de arte mais adiantado que São Luís” e teve aulas com José Girard, pintor paraense que havia estudado em Paris.

Em 19 de março de 1918, desembarcou no Rio de Janeiro e não tardou a buscar novos mestres e locais para estudos. Assim, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, passou uma temporada no atelier dos irmãos Bernadelli – Henrique, pintor, e Rodolpho, escultor – e, à noite, frequentou as aulas de “Modelo Vivo” no Liceu de Artes e Ofícios, orientadas pelo pintor Eurico Alves. Estudioso e dedicado, conseguiu, por concurso, o cargo de desenhista no Instituto Oswaldo Cruz, o que lhe garantiu a tranquilidade para prosseguir com a sua pintura.

Em 1920, estreou no Salão Nacional de Belas Artes com o quadro O Último Beijo, “grande paisagem fixando o anoitecer, o último beijo do sol nas montanhas, pintado de Manguinhos, vislumbrando toda a paisagem até a Tijuca”. À primeira participação seguiram-se muitas outras, várias delas laureadas com medalhas, menções honrosas e, por fim, o título de “Hors-Concours” (ver em Exposições e Prêmios). Em 1923, 24 e 25, insatisfeito com os rumos do Salão, reuniu outros colegas expositores e organizou o Salão da Primavera do Impressionismo, realizado no Liceu de Artes e Ofícios. Em 05 de janeiro de 1933, casou-se com a professora normalista Edwiges Cecy Peixoto Porciúncula de Moraes (falecida em 1976), com quem teve três filhos: Maria Aparecida, José Henrique e Maria Teresa.

Em 1939, participou de mostras coletivas nos Estados Unidos e em Rosário, na Argentina. No ano seguinte, conquistou a medalha de bronze no II Salão do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ainda em 1940, ficou com a prata no Salão de Artes Plásticas da Associação dos Artistas do Rio de Janeiro. Nesta mesma época, várias cidades brasileiras puderam conhecer a sua obra graças às exposições individuais que montou. Em 1952, abriu o seu atelier, na Rua Bolívar, em Copacabana, para uma exposição permanente das suas obras. O artista fazia questão de estar presente para tirar dúvidas, ouvir opiniões e debater com o público. Em 1954, participou do Salão de Belas Artes do IV Centenário da Cidade de São Paulo, com a tela Autoretrato.

Em 1963, recebeu a Grande Medalha da Academia Brasileira de Belas Artes, pelo conjunto da sua obra. No mesmo ano, ganhou também a Grande Medalha de Honra do Salão Internacional de Corumbá (MS) e a Grande Medalha de Honra da Sociedade dos Artistas Nacionais.

Em 1972, com sua obra já consolidada, viaja pela primeira vez à Europa, onde conhece os principais museus e sobre a qual diz só ter visto “uma luz tão bela, cristalina e rica de matizes como a nossa do Estado do Rio de Janeiro, numa bela manhã em Amsterdam, terra de Rembrandt!”

Além de pintor, aquarelista, desenhista e ceramista, Porciúncula de Moraes foi escritor, crítico de arte, ensaísta e poeta. A familiaridade com as letras pode ser conferida em ensaios para O Jornal, do Rio de Janeiro, nos livros Estética Desfigurada e Palheta Sonora, publicados, respectivamente, em 1967 e 1980, e nas poesias que produziu nos anos 70, publicadas em Palheta Sonora e no Anuário de Poetas do Brasil, editado entre 1975 e 1979 (ver em Poesia).

Desenhista-chefe do Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos, cargo que exerceu até a sua aposentadoria, foi também professor de desenho da rede de escolas públicas de segundo grau do Estado do Rio de Janeiro e deu cursos livres de arte na Escola Nacional de Belas Artes e em seu atelier. Faleceu em 14 de novembro de 1981, no Rio de Janeiro.

Victor Garrido
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